Thursday, November 10, 2011

Texto 21 - Considerações sobre o comportamento tribal contemporâneo


É chavão afirmar que a juventude é a força motriz da mudança. É lugar-comum citar a necessidade de se auto-afirmar. De separar indivíduos em clãs. De fazer parte de um destes como prática típica de todas as juventudes. Um extremo clichê afirmar que isto é uma fase de nossas vidas: É NORMAL. É normal. É normal enquanto o lúdico controla o real. Enquanto a magia é ingênua. As coisas somente acontecem no campo das aparências, das impressões. E o impacto de nossas ações pode ser medido em sonhos. Não em realidade. Não afeta a vida cotidiana. A parte não deforma o todo. Deformar pejorativamente. Não há danos. E nossos anseios, nossas fraquezas, nossas razões egoístas são apenas pensamentos. Palavras. Energia negativa.

Engana-se quem acha que é privilégio da juventude tribalizar comportamentos. Adultos. Velhos. Todos. A ideia é velada. É dissimulada. É tabu a sua admissão. Todavia, está lá. Todos querem ser únicos. Fazer algo notável. Todos querem. Uns menos, outros mais. Todos querem. Esta é a primeira verdade. Geralmente mascarada por jogos de cena, jogo de palavras, retórica, fingimentos. Todos. No entanto, as ações são mais resguardadas. Menos impulsivas. Não menos danosas. Adultos não invadem reitorias. Adultos não brigam por chocolate. O saquinho de maldades é mais elaborado. Mais refinado. Complexo.

Qual a sua religião? Se você não tiver, nós te arranjaremos uma. Ateu, quem sabe.

Qual a sua visão política? Se não for direita, esquerda. Se não for esquerda, direita. Se não for nenhuma das duas, centro. Democrata. Social-democrata. Liberal. Apolítico. Há sempre um título.

Qual o seu time? A sua universidade? A sua profissão? A sua cidade? Jacob ou Edward?

Jovens e adultos se orgulham de si mesmos. Todos se acham felizes. Percepção ou estado de espírito? E usam a fusão nuclear do poder coletivo para seus objetivos mais mesquinhos. Mais egoístas. Através de dissimulação. Artifícios blasé. Comentários maldosos propositadamente ditos sem querer . Pegue dados estatísticos e afirme o que quiser. Sempre haverá algo que comprove a sua tese. Seus caprichos disfarçados de antítese.

Impossível distinguir quem são porcos e quem são homens.

1 comments:

Cris said...

Os anos passam e a grande massa ainda não percebeu que usam desses artíficios para desviar o olhar do que realmente importa. Gente que se revolta com o caso da USP e faz disso, seu motivo de pesquisa diário, lê todos os portais, lê a VEJA, vê o Jornal Nacional e se acha capacitado o suficiente para comentar "com propriedade" sobre todos esses assuntos. Quando na real, está sendo distraído. A ideia de revolução é boicotar a Globo...e quando chega em casa pensa 'ah, vou assistir, porque uma tv só não vai fazer diferença'.
Ai sim está a grande diferença entre quem sabe e quem acha que sabe: quem sabe, sabe realmente o poder do individual dentro do coletivo, quem acha que sabe, se acomoda no individual, alegando a incompetencia do coletivo.

Me excedi um pouco, mas acho que a ideia é essa rs.
Gosto das suas opiniões e da forma como você as expõe.
Não para de postar não Cold :)