Tuesday, April 04, 2006

Texto 7 - Ensaio sobre o complexo de Ícaro

É este o sonho vendido na TV. É o sonho vendido na perfumaria. O sonho vendido no salão de beleza. Sonho vendido na academia. Vendido em sua escola. Em seu trabalho. Seu jornal. Casa.
Quero falar sobre as pessoas. De como as pessoas tentam ao máximo deixar de ser somente pessoas. E de como elas se enganam ao achar que são algo mais do que pessoas.

É difícil aceitar que somos majoritariamente formados por átomos de carbono. Assim como as pessoas que mais odiamos. Assim como aqueles dos quais tentamos nos diferenciar o quanto pudermos. Para que nada sejamos como eles. Não sejamos apenas pessoas. Difícil aceitar. Somos apenas pessoas. E como pessoas que somos, teremos todos os encargos cobrados por tal fato.
Morreremos. E mesmo mortos, tentaremos deixar de ser apenas pessoas. O nosso epitáfio remeterá aos heróis. Glorificados, canonizados e cantados. Assim como fez Homero. Não haverá Joyce para nos lembrar do que realmente somos.
Fama era a deusa romana da celebridade. Tomamos seu nome emprestado para definir o mecanismo, criado por nós pessoas, que nos faz chegar o mais perto possível daquilo que sempre desejamos. Deixar de ser pessoas. Nos faz chegar perto. Mas não chegamos. Nossas asas também são de cera. Nada mais que o conceito de um grupo humano. Um grupo de pessoas. Queremos ser como aqueles que acreditamos serem mais que pessoas. O jogador de futebol, que revela ao mundo ser vítima de transtorno obsessivo compulsivo. O rock star, que interrompe o show para satisfazer as suas necessidades fisiológicas.O nadador, que carrega em seu bolso um lenço de papel. O galã, daltônico. A atriz, com síndrome do pânico. Rei por um dia, idiota pelo resto da vida. Não adianta fugir. Não há exceção. Somos todos pessoas.
Não existe um plano B. O que realmente existe é um sonho. A chapinha realmente existe. A tinta de cabelo. Existe o suplemento alimentar. A câmera digital, a webcam, o fotolog. O videoclip. Hollywood. Novela mexicana. Isto existe. Um refúgio para a nossa incapacidade de sermos o que não somos. Os Wachowski mostram em Matrix como as pessoas voltaram para dentro de suas cavernas. E novamente se prendem às suas algemas. Não é por medo da luz. É por se acharem onireluzentes. Trezentos mil metros por segundo em sua propagação. Nada mal.
Persona: palavra de origem latina; máscara.
Somos uma mentira. Tudo o que fizemos é uma mentira. É assim que somos. E a nossa personalidade uma farsa. E quem somos? Aqueles que se escondem por trás de uma máscara. Como numa festa à fantasia. Todos a bailar. Sorrindo alegremente. Chorando desencadeadamente. Enganando uns aos outros. Mentindo todo o tempo. Legitimando o ritual de auto-enganação.

Difícil aceitar que somos apenas pessoas. Difícil aceitar quem somos. Difícil aceitar. Difícil.

4 comments:

A namorada said...

Facil ser soh vc mesmo.
Facil ser soh.
Facil ser. Facil...

nah said...

difícil, fácil.
ah.

adóro vc.
=*

Rodolfo said...

hauahua cadê os
Ditos Populares II..
cadê a trilogia
Cadê !!!

Possível próximo tema: planos não alcançados... Metas não cumpridas...
hauhauaah

brincadeira..

te cuida

Gabriel® said...

-agimos de formas diferentes em lugares diferentes
-agimos diferentemente com pessoas diferentes
-somos diferentes e buscamos ser iguais porém induvidualmente.... tornando-se cada dia mais diferentes
-pensamos diferente e como já disse agimos diferente
-queremos ser diferente pois nada somos
-o ideal de beleza da amioria faz com que tentemos ser diferentes
-difícil = diferente?
-no final somos todos iguais como diz: "filtro solar" 'se as pessoas se aceitassem como são naum seria preciso a leitura de livros de auto-ajuda ow naum veriamos revistas de beleza.... pois elas só fazem com que nos sintamos cada dia mais "feios"' é basicamente issu se naum me flaha a memória...
-ah!! e um dia irei olhar minhas fotos antigas e dizer: "caralhu! eu era bonito hein!"