Wednesday, January 09, 2013

Texto 24 - Considerações sobre o mito do homem culto

Este texto não é uma ode à ignorância. Não é uma ode à desinformação. À preguiça. Todavia, pretende-se discordar de alguns vícios de "pequeno burguês" que acabam se tornando referência em nosso dia-a-dia e que, primordialmente, devem ser evitados e questionados antes que sejam aceitos como verdade absoluta.

Não se mede a inteligência do homem pela quantidade de livros que leu. Muito menos as virtudes deste. O que pode fazer alguém mais virtuoso é a capacidade de absorver informações e, posteriormente, interpretá-las e apropriar-se destas.

Pode-se dizer o mesmo sobre cinema, música, artes plásticas e dramáticas ou qualquer outra vertente da chamada CULTURA POP. Não é a exposição. É o resultado prático.

Mensurar a virtuosidade de alguém por seu suposto repertório intelectual é o mesmo que mensurar a dignidade do homem pela suas posses. Balela. Do ponto de vista dialético, é somente uma tentativa de que o status quo seja mantido ou ampliado.

Exemplos não faltam. Vide a temência a Deus como forma de imposição dos hábitos de vida. Vide o homem que adora utilizar jargões de sua área em eventos de família.

A ideologia que se esconde em cada palavra, em cada olhar, em cada ação, tem por objetivo causar efeito mais ou menos assim:

"Temo o que não entendo. E se ele entende é por ser mais digno do que eu. Talvez um dia eu seja igual a ele".

Bom para o opressor. A retórica bonita esconde a sua repugnância humana. Bom para o oprimido. É um jogo mental para que não flagele a sua própria consciência.

O homem inculto pode também cultuar a sua experiência de vida e utilizar-se da máxima "você não aguentaria passar por nem metade do que passei". Deve-se fazer esta ressalva. Cada um se ilude através de seus próprios subterfúgios. Ataca e defende como pode. E o homem culto, do alto de seu pedestal, perjurará a si mesmo: "Perdoai-vo, ele não sabe o que diz."

Conheço pessoas infinitamente mais virtuosas que eu. Algumas delas analfabetas. Outras extremamente cultas. Boa parte destas aquém à inversões morais. Conhecimentos mundano e epistemológico. Ambos são combustível de transformação.

Mais importante que possuí-los é saber o que fazer com estes. E não fechar os olhos para o que estes fazem conosco.

Saturday, August 25, 2012

Texto 23 - Carta aberta aos Napoleões mundanos

Qualquer forma de poder que não admita questionamentos, sejam estes ignorados ou punidos, é DITADURA.

Muitas vezes, sem nos darmos conta, agimos como ditadores. Com as pessoas ao nosso redor e conosco.

Qualquer ideia reacionária, por mais esdrúxula que seja, merece ser OUVIDA.

Merece ser questionada. Merece ser debatida. Merece ser repelida.

Qualquer um pode se tornar um DITADOR SOCIAL.

Basta não considerar ideias contrárias.

Basta não se permitir ponderar o que soa inconcebível. Basta ignorar até mesmo o que soa concebível, repelindo projetos alheios por inveja, pirraça, preguiça ou pelos mais diversos motivos. Repelindo seus próprios projetos por inveja alheia, preguiça ou pelos mais diversos motivos.

De cada dez conselhos que ouço, nove não me servem. Todavia, nem por isso devo ignorá-los. Para não me tornar aquilo que mais me causa OJERIZA.

Estamos cercados por eles.

Nos dizem o que é certo. Nos dizem o que é apropriado. O que pode e o que não pode. Não há problema, enquanto o STATUS QUO for mantido. Enquanto as coisas estiverem seguindo o seu curso normal.

Não há o que fazer? A briga é injusta. A forma é desproporcional.
Há o que fazer? CARPE DIEM. Pratique o desapego.

Entenda o processo.
Entenda a sua própria ditadura.

Seja sincero. Minta.
Seja honesto. Engane.
Aja com decência. Dissimule.

Aceitar é aceitável.
Tolerar é tolerável.
Compactuar é INCOMPACTUÁVEL.

Monday, July 16, 2012

Texto 22 - Considerações sobre autoconvencimento e manipulação.

A verdade é que não interessa se feio ou bonito, se rico ou pobre, alvo ou mestiço, todos tentarão utilizar a retórica corriqueira para o próprio bem. Uns com mais propriedade e talento. Outros com menos. Resultados melhores. Resultados piores. O fim é o mesmo.

E quando falo sobre utilizar a retórica mundana pelo próprio bem, não falo somente de ações egoisticamente minimalistas condenadas pelo senso comum. Eu falo também de práticas aceitas corriqueiramente em nosso dia a dia.

Eu falo do menino apaixonado que compra um chocolate esperando amolecer o coração daquela menina.

Eu falo do “pode pagar depois” que significa um “se não me pagar até a semana que vem, eu vou te cobrar”

Eu falo do “tomara que você morra” cuidadosamente escondido por trás de um “bom dia”.

E eu falo principalmente da transferência de culpa. Seja ela pela cegueira da ignorância. Ou pela destreza da oratória.

E, mais especificamente, falo do compartilhamento da culpa. O famoso “eu entendo que errei, mas foi porque você...”. Se cairmos no truque, não há mais volta. Culpa aceita, culpa assumida. Missão dada, missão cumprida.

Pensar sobre a culpa é ponderar empaticamente. É não cair nas armadilhas do egocentrismo infantil majoritariamente incrustado.

Quando você pensa estar certo enquanto todos dizem que você está errado, é porque você provavelmente está errado. Na maioria das vezes. Não em todas.

Se mesmo assim você estiver convicto da não culpabilidade, há duas coisas a se fazer: Se não valer a pena, finja estar errado. Caso contrário, vá até o fim.

Thursday, November 10, 2011

Texto 21 - Considerações sobre o comportamento tribal contemporâneo


É chavão afirmar que a juventude é a força motriz da mudança. É lugar-comum citar a necessidade de se auto-afirmar. De separar indivíduos em clãs. De fazer parte de um destes como prática típica de todas as juventudes. Um extremo clichê afirmar que isto é uma fase de nossas vidas: É NORMAL. É normal. É normal enquanto o lúdico controla o real. Enquanto a magia é ingênua. As coisas somente acontecem no campo das aparências, das impressões. E o impacto de nossas ações pode ser medido em sonhos. Não em realidade. Não afeta a vida cotidiana. A parte não deforma o todo. Deformar pejorativamente. Não há danos. E nossos anseios, nossas fraquezas, nossas razões egoístas são apenas pensamentos. Palavras. Energia negativa.

Engana-se quem acha que é privilégio da juventude tribalizar comportamentos. Adultos. Velhos. Todos. A ideia é velada. É dissimulada. É tabu a sua admissão. Todavia, está lá. Todos querem ser únicos. Fazer algo notável. Todos querem. Uns menos, outros mais. Todos querem. Esta é a primeira verdade. Geralmente mascarada por jogos de cena, jogo de palavras, retórica, fingimentos. Todos. No entanto, as ações são mais resguardadas. Menos impulsivas. Não menos danosas. Adultos não invadem reitorias. Adultos não brigam por chocolate. O saquinho de maldades é mais elaborado. Mais refinado. Complexo.

Qual a sua religião? Se você não tiver, nós te arranjaremos uma. Ateu, quem sabe.

Qual a sua visão política? Se não for direita, esquerda. Se não for esquerda, direita. Se não for nenhuma das duas, centro. Democrata. Social-democrata. Liberal. Apolítico. Há sempre um título.

Qual o seu time? A sua universidade? A sua profissão? A sua cidade? Jacob ou Edward?

Jovens e adultos se orgulham de si mesmos. Todos se acham felizes. Percepção ou estado de espírito? E usam a fusão nuclear do poder coletivo para seus objetivos mais mesquinhos. Mais egoístas. Através de dissimulação. Artifícios blasé. Comentários maldosos propositadamente ditos sem querer . Pegue dados estatísticos e afirme o que quiser. Sempre haverá algo que comprove a sua tese. Seus caprichos disfarçados de antítese.

Impossível distinguir quem são porcos e quem são homens.

Tuesday, April 27, 2010

Texto 20 - Capítulo XIV – Dos estereótipos

É tarefa árdua quebrar um estereótipo. Tal como para alteramos o fluxo de um rio, é necessário intervir na essência de diversos outros fatores. Sendo assim, é mais prudente que não deixemos que ele seja construído. É um Top of Mind involuntário: Qual de seus amigos é o mulherengo? E o muquirana? O falso? Fofoqueira?

E por mais incrível que pareça, as palavras vencem a queda de braço contra as atitudes. Mais importante que o modus operandi, é o impacto causado por tal. Ora por mim, ora pelos outros.

Evite ser rotulado. Se positivamente, uma armadilha para o ego que poderá fazer-lhe tropeçar nas próprias pernas. Se negativemente, é o surgimento de cascalhos pontiagudos no teu caminho. Você está descalço. Não esqueça. Não coloque pedras no teu próprio caminho. Não plante flores na estrada se não queres que ela seja vista e almejada pelo inimigo.

Quebrar um estereótipo é como construir uma casa. Tijolo sobre tijolo. Sem garantias que o lobo mau não decida assoprar, assoprar, assoprar, até que tudo desmorone. Nem que o caçador realmente apareça.

Se tarde demais, seja forte e coerente. Autoconfiante. Para fazer com que as suas ideias sejam compradas, é preciso, primeiramente, vendê-las a si mesmo. Não caia nas armadilhas da vaidade, da preguiça e da luxúria.

Quem você quer ser? A escolha é sua. O resultado, nem sempre.

Friday, February 27, 2009

Texto 19 - Sobre o Vício

"Muitos caminhos levam à virtude."

Foram estas as primeiras palavras processadas em uma destas manhãs. Deparei-me com tão simples e óbvio conselho em um sonho que precedeu o meu despertar.

"Alguns caminhos são perigosos e nem todos estão preparados para percorrê-los."


Não sei ao certo se foram exatamente estas as palavras ditas por aquela senhora. Não havia como não respeitá-la. Ela exalava sabedoria. Sua sobriedade me trazia a sensação de ser somente um filhote ávido a ouvir os seus conselhos. Palavras simples, óbvias e brilhantes.

“Talvez você deva começar pelos caminhos mais simples.”

Ela era tão doce e cuidadosa que, escolhidas as palavras para sugerir que eu facilmente cederia às tentações, conseguiu escancarar a minha incapacitação momentânea e, ao mesmo tempo, não ferir meu ego.

Quem era aquela mulher? A minha consciência? As experiências vividas nos dias precedentes ao sonho? Meu raciocínio em operação num momento em que ele supostamente estaria em standy by? Talvez uma destas respostas esteja correta. Talvez todas estejam corretas. Talvez nenhuma. O meio, para esta análise, é descartável.

A única certeza é que nunca havia refletido acordado sobre os perigos de tais caminhos. Caiu no meu colo. E soou estupendo.

"Muitos caminhos levam à virtude. Alguns caminhos são perigosos e nem todos estão preparados para percorrê-los. Talvez você deva começar pelos caminhos mais simples.”

Sunday, November 02, 2008

Texto 18 - A teoria da Abstinência

A vida não é somente uma partida de Tetris. É também uma partida de Poker. É mais ou menos como se tivéssemos que dar uma sequência infinita de all-ins para saciarmos as nossas ambições e expectativas. Tudo ou nada. Muitas vezes por sobrevivência. Em outras, entregamos a nossa própria sorte em nome de um bem maior. Algo de proporções grandiosas.

Viver é um genuíno e ininterrupto jogo de xadrez. Movemos as peças dos tabuleiros. Esperamos pelo próximo movimento de nosso adversário. Jogamos ora a esmo, ora com estratégia pré-definida. Avançamos nossos peões até que a troca das peças mais valiosas seja inevitável.

E nossas torres desmoronarão como verdadeiras fortalezas. Nossos bispos atacarão sanguinariamente como reais inquisidores. A dama, suprema, só entrará em cena nas horas críticas.

Em nosso tabuleiro diário, as reviravoltas ocorrem ad infinitum.

Precisa pagar as contas? Sacrifique suas manhãs.
Precisa de mais status? Sacrifique seu orçamento.
Precisa de mais tempo para descansar? Sacrifique seus amigos.

Abstenha-se de seus velhos hábitos em nome de sua nova vida.
A qualquer momento o imprescindível poderá se tornar descartável.
Em nome de um bem maior.
Maior naquele determinado momento.
A natureza das coisas é infalível.
É a cold turkey life.

Thursday, October 30, 2008

Dia 02/11 - Domingo - A Teoria da Abstinência

é amanhã....

...Abstenha-se de seus velhos hábitos em nome de sua nova vida...

Thursday, October 02, 2008

Texto 17 - As contradições entre a arte e o trabalho

O verdadeiro artista é aquele que faz arte pelo simples prazer em fazê-la. Ele não tem como fim viver dela. Este porventura seria um meio, nunca um fim. Ou alguém acredita que Monet pintava quadros pensando nos valores que eles têm hoje? Ou que Shakespeare somente almejava à riqueza? Beethoven não vivia como músico, ele nasceu e viveu músico.
Esta é a grande contradição entre a arte e o trabalho. E isto quer dizer que viver de sua arte seja por si só um crime? Não. O verdadeiro artista pensa em sua platéia, pensa em atingir o maior número de pessoas possível. Pensa em tocá-las, em fazê-las felizes nem que seja por um só instante. Em levá-las ao céu e ao inferno. Sem nunca perder a sua essência. A essência mesquinha de ter absoluto controle de sua obra

FAÇA MÚSICA POR PRAZER Antes de pensar em seus fãs, pense na capacidade que esta tem em mantê-lo vivo. Vivo em conotação artística. Sentir-se importante, sentindo no ato de gerar acordes e melodias o prazer no poder que estas têm em deixá-lo menos profano.

ESCREVA POR ESCREVER. Expresse seus medos, frustrações e tragédias. Documente suas façanhas e alegrias. Gere sentimentos, mesmo que inexistentes. Transforme seus personagens em tudo aquilo que a existência represente ou nunca poderá representar.

PINTE UM QUADRO PARA SI. Enxergue em suas figuras os seus maiores medos, os seus maiores desejos. Transforme o inanimado em um ser pensante e de vontade própria.

ATUE COMO SE FOSSE VOCÊ. Viva o dilema de suas personagens. Chore com eles. Suicide-se em seus dramas. Cantarole de felicidade com uma nova conquista.

FAÇA POESIA. Se não quiser escrevê-la, não a escreva. Apenas a recite quando sentir que é a hora.

O único fragmento a ser eternizado é a nossa história e a história de nossas crias.

Saturday, April 12, 2008

Texto 16 - Considerações sobre o Bem e o Mal

Não existem pessoas boas e pessoas más. Este é o proton pseudos de nossa sociedade. Uma sociedade especialista em criar heróis e vilões, bandidos e mocinhos, separar bem e mal como se fossem joio e trigo.

Antes de qualquer julgamento, é preciso entender o que é bem e mal e o que cada um deles representa.

O que se convencionou ser chamado de bem é o conjunto de ações e pensamentos que nos livram de qualquer sentimento de culpa ou peso na consciência. Um artifício para sermos bem quistos no ambiente em que vivemos. Uma maneira confortante de aliviar esse tipo de dor e eficaz prevenção contra um de seus ataques futuros. Como detalhado no texto 13 , o entendimento que fazemos do bem, não é o mesmo das outras pessoas. Nossa luta sempre será fazer com que os valores aceitos pela comunidade da qual fazemos parte e os nossos próprios valores sejam cada dia mais similares.

Por outro lado, o mal é tudo aquilo que fazemos ou pensamos e, que de certa maneira, não se encaixa na ética de nossa comunidade. O psiquismo, de maneira mais discreta e menos influente, também atua na criação destes conceitos. Não podemos ignorar que a ética é formada pela história de seus cidadãos, todos tecnicamente dotados de mecanismos de reflexão e argumentação.

No entanto, tudo o que consideramos certo ou errado, não é de fato a natureza das coisas.

E a verdade é que cada um de nós está apto a contestar os valores coletivos e, mesmo que muitas vezes passíveis de penalidade, nossas ações são uma mera questão de escolha. É só apertar o gatilho. As razões para que tais valores sejam contestados são inúmeras. Ora por não concordarmos com ele, ora por pura revolta. Ora por capricho, ora por raiva e/ou ódio. Em grande parte dos casos, simplesmente agimos por impulso ou por um lapso de consciência. Uma perda repentina da razão que representa todo o sentimento coletivo e as penas aplicáveis a tal ato.

E, de uma maneira prática, podemos afirmar que a pessoa boa que faz caridade, não será a nova vedete dos noticiários policiais de amanhã? E o senhor que vai à igreja todos os domingos, nunca sentirá inveja de ninguém? E a garota que traiu o namorado com seu melhor amigo, não arriscaria a própria vida para salvar um estranho? A resposta é não.

O mal e o bem são apenas estados de espírito. Assim como felicidade e tristeza, podem caminhar livremente ou até mesmo se fundirem em um balé de justaposição, onde, dependendo do ponto referencial, tanto um quanto outro podem ser vistos como ambos.

Esta é a nossa primeira mentira.




*Vivian, valeu por me cobrar de postar logo. Às vezes preciso de um empurrão. :] xxx

Friday, January 25, 2008

Texto 15 - A vida como um jogo de Tetris (A parábola do video game)

É incrível como as coisas da vida se limitam a um punhado de diferentes pecinhas. De cores diferentes, mas no fundo com a mesma forma, o mesmo número de encaixes, assim como seu sentido de rotação.

Start: Tela em branco, uma tabula rasa para ser preenchida com diferentes anseios, tristezas, alegrias e sonhos. Diferentes? As peças não chegam a uma dezena, e no fundo, o que acaba fazendo a diferença é o infinito número de combinações possíveis. E qual é o objetivo do jogo? Simples, sobreviver. Fazer o maior número de pontos possíveis antes que a tela se encha de bloquinhos. Cada um faz o seu jogo.

Next level: De fase em fase a dificuldade e a velocidade com que as pecinhas caem aumentam de maneira diretamente proporcional. Quando somos jovens, não temos paciência de esperar que as coisas aconteçam em seu tempo e então apertamos aquele botãozinho para que as peças tenham sua queda acelerada. Já nos níveis mais altos, não há tempo para pensar nisto, pois a velocidade das coisas faz com que a luta seja apenas por sobrevivência.

Game over: E assim surgem os buracos. Enquanto visíveis, fáceis de serem tapados. Quando cobertos por outros blocos, sua recuperação se torna uma coisa secundária. Afinal, já haverá outro buraco para ser tapado. E então cria-se o efeito dominó e os buraquinhos vão surgindo cada vez mais e mais. Até que esqueceremos o que é a vida sem buraquinhos, e que poderíamos ter feito mais pontos se tivéssemos jogado com mais calma. E que poderíamos ter nos divertido mais se jogássemos sem pensar somente nos pontos. E se ao começar a partida, lembrássemos que os buracos fatalmente aparecerão, e que no fim de tudo, aquele jogo foi bem legal.

Clique aqui para jogar

Wednesday, January 02, 2008

Texto 14 - Análise de ditos populares III (Brincando de Deus)

Pensar na vida é pensar na morte. Pensar na vida e na morte é pensar em algo convencionado a ser chamado de deus, que em cada lugar do mundo é chamado de um nome diferente.
Mas o que é deus? Uma luz? A fauna e a flora? Tudo? Um pouco clichê, sim. Mas não acho que o(s) conceito(s) esteja(m) completamente errado(s). Por outro lado, acredito que esse deus esteja extremamente sobrecarregado devido ao excessivo número de seres dotados de inteligência habitando este planeta. Desta maneira, resolvi brincar de descentralizar um pouco esse poder e, como na mitologia greco-romana, dividir deus em alguns deuses, com um pequeno ajuste no contexto histórico.

A deusa da Esperança: “Ai, meu deus!” Quem disse isso alguma vez na vida, mesmo que sem querer, acabou por fazer preces à deusa da Esperança, patrona da campanha “Sou brasileiro não desisto nunca”. É ela que nos dá força para continuar tentando, mesmo que a melhor opção seja simplesmente deixar as coisas para trás. Especialistas acreditam que em sua última passagem pela Terra, ela tenha vivido como uma retirante nordestina chamada Maria Auxiliadora. Lavadeira, cinco filhos, foi transformada em mártir após morrer na fila de um hospital público sem conseguir ser atendida devido a uma greve de médicos.

O deus do Imponderável: “O futuro a deus pertence”. Frase favorita dos sonhadores e daqueles que, como eu, odeiam fazer projeções de longo prazo. Podemos adaptá-la sem nenhuma perda em sua essência e dizer que, na verdade, o futuro ao caos pertence. Ou mesmo, o futuro a ninguém pertence. Graças a esse tão caprichoso deus, uma fatalidade ou uma coisa qualquer pode mudar o rumo da história. O mito surgiu depois que um jovem operário francês do século XVIII, em pleno surto anarco-iluminista, abandonou o seu emprego e resolveu viver a vida de uma maneira mais intuitiva. Morreu de velhice no subúrbio de Manchester, onde ganhou o simpático apelido de “Laissez-Faire Boy”.

O deus do trabalho: Muitos acreditam que esse mítico ser workaholic divida conosco os sofrimentos mundanos contemporâneos. Ele adora trabalhar e fica muito feliz quando alguém diz algo como “Vá com deus”, “Que deus a tenha” ou “Deus vai cuidar de tudo pra você”. Ninguém sabe ao certo quem seria ele, mas teorias conspiratórias que circulam pela rede mundial de computadores sugerem nomes como os de Bill Gates, Donald Trump e George Soros. Pelo fato de ter suas idéias imediatamente transformadas em dogma após um simples espirro, Alan Greenspan é outro grande suspeito. Em um famoso site de relacionamentos, há comunidades de ovação ao ex-presidente do FED. Fim da trilogia.

A fé move montanhas
Autor desconhecido

PS: Muito bacana os comentários e a, mesmo que mínima, repercussão que o blog gera. Muita gente comentou sobre o último texto por aqui, por orkut e até pessoalmente. Queria agradecer a todos, quem comenta, quem lê e quem só entra na curiosidade. Quando postei o texto 1, sobre realização, somente esperava que ele não fosse o único. Hoje já existe até um blog inspirado neste. Isto é a verdadeira realização. Valeu! :]

Sunday, November 04, 2007

Texto 13 - Ensaio sobre a unitização de dimensões paralelas

Deveria postar a continuação da Teoria da Prisão. Ela será continuada. Mas não hoje. Antes de postá-la preciso sentar em um bar, tomar algumas cervejas com o Sandre e o Sérgio e ver o que eles podem me acrescentar. Não com idéias. Mas com contestações. O texto de hoje será influenciado por outra conversa de bar. Uma que tive meses atrás com o Sérgio e a Ariane. Como sempre, eu falando demais e escutando de menos. O nome ficou pomposo.

“Nós somos o que as pessoas acham de nós, ou seja, caso ninguém ache nada da gente, não existimos.”

No momento em que Ariane disse isso, Sérgio balançou a cabeça como quem estivesse concordando e, por um momento, eu me senti sem graça por mais uma vez discordar de todo mundo. Depois passou. Por algumas semanas aquela frase latejou perdurantemente em minha cabeça. Havia um significado intrínseco nela. Porém, continuava discordando. Não fazia muito sentido para mim o fato de que nossa existência estivesse diretamente ligada à percepção do próximo. Metaforicamente, aquilo fazia sentido. Fisicamente, não.

Algumas semanas atrás, revi o meu ponto de vista e comecei a concordar com ela. Cinco pessoas em cima de um palco, cercadas por dezenas de milhares de outras pessoas, todas dispostas a brincar de “siga o mestre” a qualquer momento, me presentearam com aquele insight. Pessoas vão ao delírio, endeusando pessoas que são tão pessoas quanto elas, se entregando inteiramente às paixões proporcionadas pelo panis et circensis. E de acordo com o meu credo de momento, caso aquelas dezenas de milhares de pessoas não estivessem dispostas a comparecer a um show ou a um culto, o ídolo deixaria de existir. Seria a morte do divino.

De alguns dias pra cá, comecei a acreditar que aquilo estava somente meio certo. Mesmo que as dezenas de pessoas não existissem, outras milhares existiriam e fariam jus àquele ditado que diz que ninguém é insubstituível. Ou mais, mesmo que a segunda dezena de milhares de pessoas também não existisse, a inexistência no plano físico não impediria que tudo aquilo vivesse na imaginação de algumas dezenas de milhares de outras pessoas com aspiração à fama. De volta ao ponto inicial.

Por alguns instantes, achei que tinha encontrado a solução para o meu dilema.

“Metade do que somos é o que as pessoas pensam sobre nós, ao passo que a outra metade é o que achamos que somos ou o que queremos que as pessoas achem que somos.”

A frase é um pouco determinista quanto às proporções matemáticas e ufanista em relação à questão do estereótipo. Aí está o ponto. O estereótipo e o culto ao ídolo ainda estão presentes. Eu nunca neguei a existência deles. Quero que minhas idéias sobre o assunto sejam colocadas em meu epitáfio. Metaforicamente, a frase ainda fazia sentido para mim. Fisicamente, não por completo. Embora uma unidade de pessoa, possa ser dividida em muitas personalidades, tornando-se então um punhado de pessoas diferentes dependendo da ocasião e da necessidade, isto tudo é apenas uma mutação. Não podemos nos dividir ao meio, ou 40-60. Impossível dar um pedaço de nós ao mundo e ficar com o outro. Precisamos do primeiro pedaço. Tipo almas gêmeas.

“Somos duas pessoas. Uma é o que o mundo pensa de nós. E a outra, o que queremos que o mundo pense de nós.”

Resolvo o dilema físico sem interferir no metafórico. Cada pessoa continua dotada de múltiplas personalidades, que teoricamente deveriam trabalhar como uma equipe. Uma ajudando à outra.
O problema é: Quantas vezes você disse algo, esperando uma reação das pessoas e conseguiu outra? Quis ser engraçado, e provocou nada mais que um silêncio constrangedor. Quis chocar e provocou apenas risos.
Ou o contrário: Ouviu reações espontâneas que trouxeram evidências que foi, no mínimo, mal interpretado pelo mundo? Achou que era descolado e foi chamado de figura. Achou que era levado a sério e foi chamado de moleque. A frase assim, do jeito que está, ainda não cumpre a sua missão. Faltam palavras.

“Somos duas pessoas. Uma é o que o mundo pensa de nós. E a outra, o que queremos que o mundo pense de nós. O segredo é fazer com que a pessoa que somos para o mundo seja o mais parecida possível com aquela que queremos ser.”

Como almas gêmeas que se comunicam por olhar, que conseguem ler reações e antecipar-se aos pensamentos de seu correlato. Unitizadas e entrosadas.

Sunday, September 02, 2007

Texto 12 - Teoria da prisão I - (Férias Forçadas)

Em primeiro lugar, nada disso é sobre religião. Em segundo lugar, não se trata de um artigo científico. Em terceiro lugar, sugiro que não se leve estas palavras a sério ou como uma verdade, pois cada um tem sua verdade. Essa não é necessariamente a minha verdade e não precisa ser a sua.
Quero acreditar que estejamos todos em uma prisão. A mais perfeita delas. A verdadeira Alcatraz. Afinal, quem quer sair desta prisão? Poucos tentaram, alguns conseguiram, ninguém sabe o que realmente aconteceu com eles. Será que os suicidas foram para a ilha ou simplesmente estão trancafiados em uma cela solitária, tão longe de nós? Supondo que realmente existam prisão e prisioneiro, é importante definirmos quem é quem. A primeira é o que nos acostumamos a chamar de corpo. São as tais cadeias de átomos de carbono que eu gosto de mencionar. Aquilo que tem todas as sensações por nós. Infinitas, mas que podem ser divididas em dois grandes grupos. Prazer e Dor. Teoricamente deve haver o meio termo, mas não convém analisá-lo.
E quem é o prisioneiro? Não sabemos, pois ele não é nós. Na verdade, nós nem mesmo existimos. Aquilo que muitos supõem ser o prisioneiro, a consciência, estou flexionado a acreditar que seja apenas a porta de entrada e saída de uma cela, apenas uma cela, aquela em que há outro ser aprisionado.
O mais curioso de tudo é imaginar o exato momento em que este outro ser é aprisionado em nossos corpos (que na verdade não são nossos e nem são deles). Imaginemos a força da gravidade como foi proposto com a teoria dos lençóis. É essa força que prende todos os corpos nesse planeta, assim como as outras forças da gravidade prendem tudo ao universo. Pois todos os corpos do universo funcionam como uma âncora, aprisionando um navio e não deixando que ele navegue livremente. E o navio seria o prisioneiro, só apto a partir quando a âncora é içada. Imaginemos então que os prisioneiros sejam formados por partículas precisamente opostas ao que conhecemos em nosso(?) mundo. Tudo negativo, massa negativa que poderia ser chamada de anti-massa. A partir do momento em que os condenados estejam livres da prisão, seus corpos estarão imediatamente livres da força de gravidade que rege a nossa dimensão. Agora eles estão sujeitos à anti-gravidade. Uma força que age de maneira oposta à nossa. Tudo negativo. E como que se fossem puxados por um imã, eles voltam ao seu habitat natural.
Brevemente postarei sobre o infinito número de celas e o banho de sol dos prisioneiros.

Friday, June 29, 2007

Texto 11 - Ensaio sobre a redenção

Dentre as coisas mais difíceis de serem admitidas, a maior delas é a de que estamos perdidos. E não falo sobre uma rua, sobre o trânsito, sobre uma placa mal posicionada. Eu falo sobre a vida. Quero deixar isto bem claro desde o início, pois me valerei de metáforas de agora em diante para falar de algo elementar. “The path we follow”. Sinceramente, espero que ninguém que leia esse texto se identifique com ele, pois isso significaria algo como sentir o que eu sinto. Esse é o texto mais pessoal dentre os onze postados, um diário de bordo ou uma carta de confissão.

A coisa mais difícil já foi superada. Estou perdido. Sei disso. Porém, até agora não tinha dado conta das implicações de tal fato.

Estou perdido. E não foi hoje que me dei conta. Já me dei conta há algum tempo atrás. No entanto, achei que conseguiria um atalho no meio do caminho, mas não houve atalho. E as migalhas de pão já estão acabando. Aquilo que deveria me alimentar, hoje em dia só me guia.

Quando escolhi seguir em direção ao lugar em que eu me encontro, eu podia olhar para as pessoas e prever o que elas achavam disso tudo. Uns aplaudiram silenciosamente. Outros me invejaram. A grande maioria só sentiu desprezo. Hoje, apesar de tão longe, continuo a ouvir suas vozes ecoando diretamente dos caminhos que eles vieram a seguir. Umas apoiando, outras amaldiçoando. Infelizmente não era nada disso que eu queria. Não queria ser odiado, amado, invejado ou imitado. Só queria ser alguém firmeza. E ainda quero. E onde me encontro, estou muito mais distante deste objetivo do que já tive antes. Objetivo que nunca esteve exatamente à minha frente, porém um dia já tive plena certeza de estar no caminho certo para alcançá-lo.


Não há atalhos. Para o tempo, neste caso, there’s no turning back. Só havia uma solução a ser tomada. A mais dolorosa de todas. Levantar a cabeça, olhar para trás e procurar a trilha perdida. Em meio a tantas bifurcações acharei o caminho, caso as migalhas de pão ainda estejam lá. Alguém já pode tê-las comido, e então eu terei de achar o caminho de volta a esmo ou correrei o risco de me perder para sempre, como no limbo.

Já dei alguns passos para trás e, embora desconfiado, não tenho medo. Ainda é tempo de achar o caminho. Se Anakim encontrou, porque eu não o encontraria? Talvez tenha a fortuna de achá-lo exatamente no ponto em que eu me perdi. Talvez tenha que recomeçar. Continuo a ouvir vozes, a maioria de apoio. Não dá para entender como as pessoas se apegam a algo tão simplório. Sem limites, nem derivadas. Sequências óbvias, sem ao menos um logaritmo. Não mereço a fortuna de ter tantos amigos ao meu lado.

Para dar fim às palavras pesadas, trocarei o tango por uma cumbia:


“Los caminos de la vida, no son los que yo esperaba, no son los que yo creia, no son los que imaginaba.”

Monday, June 04, 2007

Texto 10 - Ensaio sobre o progresso

Porque precisamos trabalhar? Quantas vezes você já se fez essa pergunta? Verdadeiro clichê. Somente as socialites e os Chiquinhos Scarpas da vida nascem com o direito de escolher dizer sim ou não ao laboro. Nós, grande maioria, teremos que lidar com tal fato. Os adolescentes deveriam ter em mente que os que diferenciam de todo os outros humanos é que eles são os grandes privilegiados do mundo. Desfrutam dos prazeres de adulto sem o peso da responsabilidade. Mas não nos iludemos. Infelizmente isso acaba muito rápido.
Porque precisamos acordar cedo? Desde pequenos aprendemos que os grandes momentos vêm sempre como recompensa por superar algum momento de dificuldade e, em certa dose, sofrimento. Se não comer verdura, não tem sobremesa. Só vai brincar quando terminar a lição. Só vai viajar se passar de ano. A responsabilidade das crianças e adolescentes é bem menor, no entanto, quando completamos 6 anos, o grande momento é chegado. Começará o rito de iniciação que culminará no momento em que estaremos prontos para a vida, formalmente conhecido como Baile de Formatura. À partir dele, nos tornaremos adultos na acepção da palavra.
As perguntas estão aumentando. As respostas diminuindo. A equação é inversamente proporcional. Porque vamos à escola? Porque trabalhamos? Porque acordamos cedo? A cada segundo que passa, mais teremos que trabalhar, estudar para termos o que tínhamos antes desse segundo passar. Dormiremos cada vez menos, para podermos compensar no futuro aquele segundo perdido. Esse segundo nunca mais voltará, afinal não o dormiremos.
Mais perguntas, menos respostas. Porque trabalhamos tanto? Porque não podemos dormir as tais 8 horas necessárias? Porque somos tanto tempo preparados para algo que é incerto. Ou alguém tem a plena certeza de se tornar adulto, estabilizado financeiramente, com inteligência emocional e senso crítico suficiente para ser cem por cento independente? Certeza, ninguém. Ilusão, todos.
Não quero subestimar a inteligência de ninguém. A resposta é simples e qualquer um que pare pra pensar na vida chega fácil à conclusão. Após o seu nascimento, qual a invenção ou revolução comportamental mais relevante concebida para e pela humanidade? TV? Pílula anticoncepcional? Camisinha? Internet? Telefone celular? Para mim, o forno microondas. Comida quente em um minuto, na hora que eu quiser. Posso comer o que quiser em um processo que dura 2 minutos, do momento que o estímulo surge em meu cérebro até o ponto culminante. Beep-beep-beep. Lasagna, pizza, cheeseburger, frango xadrez, nuggets, pipoca, tudo. Uma ode à modernidade. Cama confortável, carros velozes e econômicos, aviões, chuveiro quente, sistema de esgotos, aquecedor, ar-condicionado, automóvel, DVD, Mp3 player, torpedo, lost em tempo real, e-mail, msn, orkut. Alguém consegue imaginar a vida sem essas pequenas coisas do nosso cotidiano? Afinal elas não são pequenos luxos, são bens de extrema necessidade. E tudo isso por um preço mínimo. Afinal trabalhamos tanto que merecemos desfrutar dos bons momentos da vida! Pena que até o fim de nossas vidas teremos que trabalhar para pagar as estradas construídas, o viadutos em cima de viadutos, a hidrelétrica de Itaipu, a construção(?) da Transamazônica, o aquecimento global, o El-niño, o festival anual de invasões de reitorias( há gente que ainda teima em acreditar que Karl Marx é o novo Messias.) Até isso será contabilizado no fim das contas. Tudo. O seu banho quente é o motivo por acordar tão cedo. O seu cobertor quentinho te faz estudar cada vez mais para ganhar cada vez menos. O seu notebook novo faz com que milhares de pessoas sacrifiquem suas vidas por um bem maior, o progresso. Do the evolution, baby!
Eis o dilema. Invadir uma reitoria ou “aceitar o sistema”? Virar hippie ou neo-liberal? Taylor ou Ghandi? Nem um, nem outro. Dois vícios e nenhuma virtude. Se somos tão infelizes ou pseudo-felizes é por nossa e única culpa. Nós, da espécie homo-sapiens somos os grande responsáveis pelo ritmo frenético em que nossas vidas e nossos corpos são alavancados. E por mais que os europeus tentem, somente um desastre de proporções planetárias como um asteróide ou uma guerra inter-galáctica seria capaz de mudar nossos velhos hábitos. Cobiça, inquietude, criatividade são algumas das moléculas formadoras do oxigênio da evolução. E como o ar que alimenta os nossos corpos e enche os nossos pulmões, isto nos enferrujará aos poucos. Nossa culpa? Não. Apenas a natureza das coisas. Devemos minimizar os males do progresso, mas como tudo na vida, o trade-off é inevitável. Um espiral girando no sentido horário de maneira ininterrupta. Nem o tempo e espaço quebrariam esta cadeia. Aproveite o frio, tome o seu chocolate quente e assista a um bom filme comendo pipoca. Fatalmente as segundas-feiras chegarão.

* Este texto é dedicado a um grande amigo que acabou de completar 30 anos e anda refletindo sobre os dilemas da vida.

Tuesday, December 19, 2006

Texto 9 - Considerações sobre o Espírito Natalino

Resolvi dar uma passada por aqui após um longo período de hibernação. Enquanto minha mente hibernava, aproveitei pra dar fim à faculdade e, agora que tenho quase que em mãos meu canudo de alforria, quem sabe voltar a escrever. Gostaria de ter continuado. Talvez hoje estivesse escrevendo o texto 29 ao invés do 09. É uma pena, mas não tive o mínimo saco. Ainda leio de vez em quando os textos 07 e 08 e fico feliz por um dia tê-los escrito. Um dia. Um dia que já passou. Meu foco é o agora. E o agora é recomeçar. Essas 3 últimas frases de motivação devem ser obra do tal do Espírito Natalino... Jingle Bells...Ainda me faltam palavras, mas vou tentar.
Antes de começar, quero dividir com as pessoas algumas das informações natalinas que andei lendo na caixa de Sucrilhos. Na verdade o Natal não é Natal. O Papai Noel não se chama Noel e ninguém faz aniversário nesse dia. Diz a lenda que os romanos usavam essa data para comemorar o Solstício de inverno, ou seja, a noite mais longa do ano. O nome do Papai Noel na verdade era Nicolau, um bispo que dava dinheiro para os pobres em algum lugar do que chamamos hoje Turquia. Nem a árvore é de Natal. O costume deriva de uma festa pagã nórdica. Super Interessante® , não?
E o Espírito Natalino? Naquela época não passava de algo parecido com o que chamamos de Carnaval hoje, com exceção da ceia e da troca de presentes que já rolava. Muitos contemporâneos adorariam curtir um Natal Old-school. Trocar presentes com a família, encher a pança e sair para a farra, com bebedeiras e orgias por uma semana. Só faltou um samba-enredo em latim.
E hoje o que seria o Espírito Natalino? Depende do ponto referencial.

Para o sociólogo seria um momento em que as pessoas se confraternizam e se unem para fortalecer instituições pilares da sociedade como família, igreja, estado. Também um momento de auto-reflexão de atitudes e valores.
Para a Xuxa seria mais uma oportunidade de passar um sermão nos baixinhos.
Para os empresários, o momento de faturar em cima do aquecimento econômico e da febre consumista que nos envolve de uma maneira difícil de escapar. Ou você ousaria deixar de comprar uma lembrancinha para os seus familiares, participar de um amigo secreto ou dar caixinha para o coletor de lixo? Ninguém quer ter fama de pão-duro...
Para os legisladores, o Espírito de Natal é a grande chance de aumentar o próprio salário em 90% sem contar com a revolta da população. Afinal, nessa época do ano as pessoas estão cheias de bondade no coração.
Para as redes de televisão é o único momento em que o telespectador tem paciência(e falta de opções) para assistir retrospectivas, reprises, melhores momentos, especiais, roberto carlos, ivete sangalo, zezé de camargo, etc..
Para a massa carcerária, é o momento de rever os familiares, fazer sexo fora da cadeia e, para parte desses, colocar em prática um pouco de seu nato talento retórico e persuasivo.
Para uns o Espírito Natalino é o momento de ficar duro, para outros é o momento de $faturar$ um pouco mais. Para uns, é o momento de se ver livre das aulas, para outros, hora de começar a pensar na lista de material. Para uns, sonhar com dias melhores. Para outros, não sonhar.
E para você?

Saturday, May 06, 2006

Texto 8 - Análise de ditos populares II

Deus é brasileiro
Se Deus for realmente brasileiro, a chance de seu filho pródigo, Lúcifer, ser mais um patrício é altíssima. Não tenho dados estatísticos, porém o percentual de filhos e pais de diferentes nacionalidades é ínfimo.
Se Deus for realmente brasileiro, porque Jesus Cristo nasceu no Oriente Médio? Estava ele fazendo turismo ou viajando a negócios?

É possível medir o complexo de inferioridade de uma sociedade por situações diversas. Esta é uma delas. Isto acaba refletindo na grande necessidade de auto-afirmação que nossos estadistas demonstram mundo afora. Cadeira no conselho de segurança da ONU, liderança regional, diplomacia inútil e muito mais. Somos o sapo que quer virar príncipe. É difícil aceitar. Somos apenas sapos.
Não somos sapos por pura fortuna. Todos são sapos. Alguns maiores, outros menores. No entanto, todos sapos. God save the Queen, In God we trust. Exemplos não faltam. Vou beber uma Budweiser.

Tuesday, April 04, 2006

Texto 7 - Ensaio sobre o complexo de Ícaro

É este o sonho vendido na TV. É o sonho vendido na perfumaria. O sonho vendido no salão de beleza. Sonho vendido na academia. Vendido em sua escola. Em seu trabalho. Seu jornal. Casa.
Quero falar sobre as pessoas. De como as pessoas tentam ao máximo deixar de ser somente pessoas. E de como elas se enganam ao achar que são algo mais do que pessoas.

É difícil aceitar que somos majoritariamente formados por átomos de carbono. Assim como as pessoas que mais odiamos. Assim como aqueles dos quais tentamos nos diferenciar o quanto pudermos. Para que nada sejamos como eles. Não sejamos apenas pessoas. Difícil aceitar. Somos apenas pessoas. E como pessoas que somos, teremos todos os encargos cobrados por tal fato.
Morreremos. E mesmo mortos, tentaremos deixar de ser apenas pessoas. O nosso epitáfio remeterá aos heróis. Glorificados, canonizados e cantados. Assim como fez Homero. Não haverá Joyce para nos lembrar do que realmente somos.
Fama era a deusa romana da celebridade. Tomamos seu nome emprestado para definir o mecanismo, criado por nós pessoas, que nos faz chegar o mais perto possível daquilo que sempre desejamos. Deixar de ser pessoas. Nos faz chegar perto. Mas não chegamos. Nossas asas também são de cera. Nada mais que o conceito de um grupo humano. Um grupo de pessoas. Queremos ser como aqueles que acreditamos serem mais que pessoas. O jogador de futebol, que revela ao mundo ser vítima de transtorno obsessivo compulsivo. O rock star, que interrompe o show para satisfazer as suas necessidades fisiológicas.O nadador, que carrega em seu bolso um lenço de papel. O galã, daltônico. A atriz, com síndrome do pânico. Rei por um dia, idiota pelo resto da vida. Não adianta fugir. Não há exceção. Somos todos pessoas.
Não existe um plano B. O que realmente existe é um sonho. A chapinha realmente existe. A tinta de cabelo. Existe o suplemento alimentar. A câmera digital, a webcam, o fotolog. O videoclip. Hollywood. Novela mexicana. Isto existe. Um refúgio para a nossa incapacidade de sermos o que não somos. Os Wachowski mostram em Matrix como as pessoas voltaram para dentro de suas cavernas. E novamente se prendem às suas algemas. Não é por medo da luz. É por se acharem onireluzentes. Trezentos mil metros por segundo em sua propagação. Nada mal.
Persona: palavra de origem latina; máscara.
Somos uma mentira. Tudo o que fizemos é uma mentira. É assim que somos. E a nossa personalidade uma farsa. E quem somos? Aqueles que se escondem por trás de uma máscara. Como numa festa à fantasia. Todos a bailar. Sorrindo alegremente. Chorando desencadeadamente. Enganando uns aos outros. Mentindo todo o tempo. Legitimando o ritual de auto-enganação.

Difícil aceitar que somos apenas pessoas. Difícil aceitar quem somos. Difícil aceitar. Difícil.

Monday, March 27, 2006

Texto 6 - Análise de ditos populares I

Final de semana em alta velocidade. Satanic Surfers na sexta, 50 borboleta no sábado e estrada no domingo. E mais quatro semanas se foram. Já está virando rotina. Não culpo a falta de ócio. Por outro lado, pleonasmicamente, culparei o excesso de atividades. E o que mais me chamou atenção nestas quatro semanas, foi, primeiramente, a já tão tradicional aula prática sobre Revolução Francesa que os aprendizes da comuna da PUC fazem todo começo de ano letivo. Hoje em dia é muito caro pagar para invadir uma reitoria. Lá se paga muitas vezes mais de $ 1.000,00. Coitados dos pais destas crianças. A segunda foi a coreografia daquela deputada. Nada contra o corporativismo, afinal seria hipocrisia de minha parte dizer algo sobre o assunto em uma sociedade tão corporativista como esta que formamos. Para ser sincero, odeio o corporativismo. Matemática simples. Incompetentes que defendem incompetentes são duas vezes incompetentes. Ou seriam incompetentes ao quadrado? Ela dança muito mal, pior que eu. Tudo contra o corporativismo.
Vamos ao momento curtain call. Chama-se Análise de ditos populares e o nome já diz por si só. Foi escrito três semanas atrás. Se as idéias aparecerem será uma trilogia. Se não, um filho pródigo. Achei que ficou sério demais, mas não poderia deixar de publicá-lo. Espero que Weber não tenha se retorcido em seu caixão.

Dito: É melhor não trocar o certo pelo duvidoso

Efetividade: Será que o que é considerado certo é realmente certo? E o duvidoso por ser duvidoso trará necessariamente desvantagens?
Em algumas situações, que podemos chamar de momentos de choque, a mudança é a melhor opção como plano de fuga contra o ostracismo. Os períodos de choque são muitas vezes inevitáveis e ao não enfrentá-los apenas escondemos o lixo. Fatalmente este lixo reaparecerá e, na maioria das vezes, em maior quantidade e pior qualidade.

Origens: O ser humano tem como tendência natural a acomodação, por ser esta mais facilmente aceita e tolerada por seu aprendizado empírico, gerados de sensações de segurança e proteção. A falta de iniciativa e o medo da mudança atingem a identidade coletiva das sociedades e tornam seus cidadãos demasiadamente conservadores e despreparados para as grandes tensões mundanas.
Embora este sentimento de imediatismo seja próprio do homo sapiens desde seus primórdios, se não houvesse aqueles que tivessem encarado os momentos de choque ao invés de simplesmente ignorá-los, certamente não teríamos alcançado tal evolução da espécie e talvez estivéssemos hoje, inventando a roda ou descobrindo o fogo.

Dito: Cavalo dado não se olha os dentes

Efetividade: E se os dentes estiverem cariados? Talvez os custos de manutenção sejam maiores que os benefícios trazidos. Embora em nossa cultura a negação de um presente não seja vista com bons olhos, em algumas situações, o constrangimento momentâneo é preferível aos futuros prejuízos. Para ilustrar, lembramos um episódio conhecido por todos envolvendo presentes e cavalos, quando os troianos acabaram por aceitar a oferta dos gregos. Se ao menos eles tivessem olhado os dentes...

Origens: Remete à doutrina de não-contestação difundida pela igreja católica na idade média. Na época, com o teocentrismo em seu auge, os cidadãos de todas as castas eram ensinados a aceitar todos os fardos da vida como um presente divino e, sendo esta a vontade de Deus, deveria ser aceita de bom grado e jamais contestada.

Aceito sugestões para as partes II e III.

Saturday, March 04, 2006

Texto 5 - Ensaio sobre a falta de ensaios

Demorei a escrever. Não sei exatamente quanto tempo se passou. Acho que foram, ao menos, quatro semanas. Gostaria de pedir desculpas caso alguém tenha entrado algumas vezes na página em busca de novos textos. Foi mal. O verão acabou, o carnaval já passou, e com eles foi-se o ócio. Ócio. É isto que qualquer aspirante a escritor precisa. Ócio criativo. Ótimo termo. Faz qualquer vagabundo sentir-se útil e legitimar a sua existência. Uma ode ao ócio criativo. Vou sugerir a algum vereador que lance um projeto de lei obrigando as pessoas a dedicarem ao menos uma hora de seus dias a esta árdua tarefa. Já pensou? Uma hora de pura reflexão. Você, um lápis e um caderninho. Idéias surgindo, idéias sendo anotadas. Teríamos muito mais gênios por aí. Música de melhor qualidade. Menos livros de auto-ajuda e pessoas menos estressadas graças a ocioterapia. Vamos para o segundo parágrafo. Este foi só para aquecer, afinal foram-se quatro semanas.
Demorei a escrever. Não sei exatamente quantos temas vieram à tona. Pensei em escrever sobre o poder. Boas idéias, tema interessante. Acabei ouvindo algum professor mencionar minhas idéias durante alguma aula. Percebi que era besteira. Se meu professor mencionou é porque ele deve ter lido algo do tipo na HSM ou na Exame. Pode até ter sido na VOCÊ S/A, vai saber. Eu prefiro fazer palavras cruzadas. Pensei em escrever sobre a felicidade. Boas idéias, tema interessante. Não usaria nenhum chavão daqueles que ganham milhões ensinando o caminho do sucesso ou como encontrar a luz dentro de si. Iria ser uma busca alternativa à felicidade. O John e a Yoko já tentaram isso. Desisti ao ler em alguma revista de circulação nacional um artigo novamente repleto de minhas pseudo-idéias sobre o assunto. Melhor assim. Dois homens, um da Itália e outro da Macedônia, já escreveram sobre isto alguns séculos atrás. Eles foram brilhantes. Não teria nada a acrescentar. Afinal eles eram gênios. Eu, um escritor de ocasião, altamente dependente do ócio não posso com esses caras. Minhas idéias não eram nem rascunho.
Demorei a escrever. Chega de começar o parágrafo com esta porra de frase! Não sou Vinicius, não sou Drummond, não sou Camões, não sou Ramón. O primeiro palavrão a gente nunca esquece. Nem a primeira rima. Vou escrever sobre o quê? Cheguei em casa crente que dedicaria linhas à nostalgia. Hoje, ao perceber como o tempo passa, e as pessoas crescem, e tudo muda(até o #feelings está abandonado), senti uma ponta de nostalgia. Saudades dos velhos tempos. Depois perdi a inspiração, a nostalgia passou, percebi que sentir falta dos velhos tempos é relativo. Daqui alguns anos vou entrar nesta mesma página, provavelmente abandonada e sem novos posts, e sentirei nostalgia. Após cinco minutos passará e eu estarei fazendo outra coisa, sei lá. Buscando os filhos na escola, corrigindo prova, recebendo minha aposentadoria. Vai saber. Já tinha até aberto o dicionário na letra N para colar o já tão tradicional verbete no texto. Desisti. Já tem muita gente fazendo música dedicada a isto. A maioria de qualidade duvidosa. Já enchi o saco de receber e-mails com temas que remetem à minha infância e clichês do tipo. Já sei que estou ficando velho. Todo mundo está ficando velho. Deixa pra lá. Para mim, nostalgia é apenas o medo de que o presente e o futuro não sejam tão bons quanto o passado. Ainda bem que não colei o verbete. Lá está escrito que nostalgia é a doença ou tristeza causadas por saudades da pátria. Vou checar outras versões mais atuais para ver se o termo foi disseminado erroneamente ou se é apenas um problema de atualização da minha biblioteca.
Demorei a escrever. Essa foi só para irritar. Esse texto está mais curto, menos egocêntrico. Talvez meu estilo mude, talvez não. Talvez eu nem tenha um estilo. Terei que aprender a conviver com a falta de ócio. Os cadernos já não me servem mais. O bloco de papel não me serve mais. Meu cérebro só funciona com o monitor à minha frente. A caneta não me inspira. Só o teclado. Já ouvi falar da crise dos quatro anos para os que se casam. Será que existe crise dos quatro textos? Se existir, vou superá-la. Já estou pensando no texto seis. Espero que o processo seja mais rápido. Espero que não leia nada sobre o assunto ou algo do tipo. Espero que nada seja dito em Florença ou Estagira. Poder, felicidade, nostalgia. Não. Falar sobre o ócio criativo seria mais interessante. No entanto, esse ensaio será dedicado às últimas quatro semanas. Nada melhor que um ensaio sobre a falta de ensaios.
Demorei a escrever. E sobre tais questões , estas considerações são suficientes. Assim seria dito na Macedônia.

Monday, February 06, 2006

Texto 4 – Teoria da exclusão

Ontem de manhã estava lendo um artigo sobre bullying. Embora horas do meu dia sejam dedicadas ao inglês como uma segunda língua (alguns preferem dizer idioma), devo humildemente confessar que essa expressão e seu significado eram um mar nunca dantes navegado pela minha caravela. Bom, vamos então falar sobre as armas e os barões assinalados ou caso você não tenha gostado dessa infame citação literária remetida ao gênio que morreu na sarjeta(uma singela homenagem de um bisneto de seus conterrâneos), deixa-me falar logo sobre o tal do bullying, um tipo de intimidação, muito comum nos nossos primeiros anos escolares. Por meio de apelidos constrangedores e brincadeiras de gosto duvidoso brevemente semeadas e devidamente espalhadas pelos líderes da turma, aqueles que serão os mais populares(e assim imunizados do bullying), as crianças, consideradas por eles, mais feias, mais bobas e mais esquisitas sofrem com estereotipagens e humilhações que talvez lhe causarão seqüelas para o resto da vida.
Lembra aquela ponta do iceberg que o homem de Viena um dia teorizou? Não é dela que estou falando. E sim, de sua base, algo menos óbvio. A ponta do iceberg é outra coisa. Quando o bullying chega nessa parte, os traumas internos se exteriorizam e o mundo injustamente sofre as conseqüências de um babaca, um dia ter sido zoado por outro cara mais babaca ainda. Lembra aquele estudante de medicina maluco que entrou no cinema com uma metralhadora e matou todo mundo no meio de uma sessão de Clube da Luta? Eu aposto que aquele cara sofreu muito com bullying. Se o Tyler Durden fosse de verdade ele teria passado por isso. A Marla Singer nem se fala! Após esses exemplos, o bullying parece perigoso, ele cria monstros dentro da gente.
Em uma outra análise, o bullying também pode ser benéfico. A ponta do iceberg pode nos trazer surpresas agradáveis. Fomos brindados com uma obra prima como Clube da Luta graças às ofensas dirigidas ao futuro roteirista quando suas primeiras espinhas começaram a aparecer. De repente um conhecido seu poderia começar a escrever textos e publicá-los na internet, falando de sua vida e dedicando um texto inteiro à exclusão. Coincidência? Não, definitivamente não! Posso dizer que tive anos terríveis devido ao exagerado número de espinhas que povoou o meu rosto, a minha testa, o meu pescoço e até mesmo as minhas costas dos 11 aos 16. De repente me deu uma dúvida sobre a melhor invenção de todos os tempos. Sempre achei que era o forno microondas, mas, no momento, estou convicto que foi o Roacutan. Salve Roche! Para piorar, eu sempre estive mais para jóquei do que para jogador de basquete. Quer mais? Eu queria ser o Mike Patton, cabeludão e de kilt. Nunca fui...o bullying me fazia querer ser cada vez mais diferente, o que para os outros significava ser cada vez mais bobo. Acabei descontando naqueles que eram mais bobos do que eu. Praticava em cima deles. Atitude muito covarde da minha parte.
Em 1996 aconteceu uma reviravolta, o patinho feio virou cisne e, quem sabe um dia, em outros textos, eu falarei sobre isso. Por enquanto o que é necessário saber é que, até o presente momento, não precisei fazer análise com um dos seguidores do homem de Viena.
Ex.clu.são sf (lat exclusione) – Ato ou efeito de excluir, pessoa ou coisa excluída, reprovação.
Exclusão. O pior dos sentimentos. Nos traz ódio, sede de vingança e pode até despertar instintos assassinos. Preferimos qualquer coisa a sermos excluídos, a não nos sentirmos parte do todo. A sensação de inutilidade corrói a alegria de viver, apaga a chama piloto. Dramático eu? Talvez. O robô Marvin ficaria com inveja destas minhas palavras.
Assim como a dor física, também passaremos por isso novamente, mais hora menos hora. Ela está presente em todas as esferas da sociedade. Alguns momentos de exclusão marcaram a minha vida. Não citarei os eventos nem contarei histórias, citarei apenas nomes pra ficar um pouco mais trágico e misterioso. Yellow Smile e C Q Sabe.
Hoje em dia é moda fazer interação com a platéia. Poderíamos fazer um teste. Assim como eu fiz, você poderia escrever nos comentários nomes que te façam lembrar momentos de exclusão. Não precisa explicar, apenas coloque nomes. Ao menos terminarei este texto de uma forma diferente. Gostaria apenas que você não esquecesse de algo. Caso você não escreva, eu poderei me sentir excluído e, de repente, na sua próxima sessão de cinema...

Wednesday, January 18, 2006

Texto 3 – Ensaio sobre a competitividade

Esses dias eu vi um anúncio na TV falando sobre o lançamento do Playstation 3 e mais, os fãs de videogame estavam ansiosos e não iria ser nada barato adquiri-lo. Gostaria de fazer algumas considerações sobre isso, uma para cada uma de suas versões. A primeira deve ser a de que eu devo estar no tempo das cavernas, já que ainda me divirto horrores com o Super Nintendo. A segunda é de que nem mesmo joguei o tal do Play 1, e eles já estão lançando o 3, o que reitera a tese sobre a minha neandertalidade. Terceiro, estou com pena dos pais destas crianças, que terão de trabalhar alguns dias para comprar o novo brinquedinho para seus filhinhos sedentos por tecnologia.
De qualquer maneira, não ligo para os meus mais novos cabelos brancos. Estou ficando velho, mas estou na moda, afinal nasci na década de 80. Hoje em dia, tudo o que pertence àquela época é considerado cult. Eu sou cult! Tudo bem que eu não faço tanto sucesso quanto a porta dos desesperados e também não tenho a mínima pretensão de reverenciar Sandra Rosa Madalena. Já me contentei com o dia em que encontrei uns moleques roqueiros meio parecidos comigo nos meus teens e acabei contando a eles como foi quando o Nirvana apareceu tocando na rádio a música que fazia propaganda de desodorante. Eles ficaram felizes por encontrar um ser que presenciou os seus heróis em começo de carreira com tamanho entusiasmo. Eu me senti o próprio Forrest Gump (menos altista, é verdade). Pareciam até eu e meu irmão ouvindo as histórias belenenses de nosso avô. Quando começamos a ter história pra contar é sinal de que estamos ficando velhos(terceiro indício).
Bem, não estou aqui para falar dos anos 80, já tem muita gente ganhando dinheiro com isso, e ganhar muito dinheiro não é uma das minhas especialidades. Só não sei o porquê disto. Cresci ouvindo sobre o quão inteligente eu era, e, de tanto ouvir isso, acabei acreditando. Ignorei os 99% de aspiração que o cara da foto da língua pra fora (sempre ele!) havia dito e me dei mal por causa disso. Quando levei bomba no primeiro colegial, caiu a minha ficha e também a daqueles que me consideravam o futuro prêmio Nobel de alguma coisa. Alguns deles adotaram uma posição radical, típica daqueles que viram o Brasil ganhar a primeira copa do mundo. De futuro prêmio Nobel a mais novo patinho feio. Foi bom para mim, cresci e descobri que os comedores de hambúrgueres estavam certos sobre o tal do no pain no gain. O único efeito colateral foi um trauma. Não suporto ver pais alimentando esse monstro em suas proles. “Não basta ser bom, tem que ser o melhor!”, “Existem dois tipos de pessoas, os vencedores e os fracassados, quem você que ser?” Ei Lair, e se eu quiser não quiser brincar? Ei Nuno, posso perder desta vez? Ei Shini, eles poderiam caprichar mais na capa do seu livro, hein? Odeio auto-ajuda, assim como odeio os livros da Zibia Gasparetto. Porque os espíritos lhe presenteiam com tantos romances e eu com nenhum? Sou mais bonito que ela. Talvez ela seja melhor que eu para ganhar dinheiro, e os espíritos que escrevem para ela andam lendo muito Weber...hahaha...essa foi boa! Me superei! Sacaram?
Meu irmão sempre foi melhor piadista do que eu, e segundo as atuais normas de competitividade, eu não deveria deixar isto acontecer. Uma coisa que me irrita muito no mundinho acadêmico é essa coisa de que a minha empresa(que empresa? Não sou dono de nada!) deve ser a melhor, e ,conseqüentemente, destruir a concorrência sem dó nem piedade. Tenho que acabar com todos, fazer com que milhares de pessoas que não estão nem aí pra essa competitividade e só querem fazer dinheiro para pagar suas contas no fim do mês e garantir o leitinho das crianças percam seus emprego, aceitem ganhar menos em minha empresa(ainda não sei qual?). Novamente, gostaria de fazer algumas considerações.
Primeiro, qual é a minha empresa?. Não trabalho para nenhuma dessas empresas boçais que fazem parte do mundo corporativo e evitarei ao máximo isto. A minha empresa é legal. Posso trabalhar de bermuda e boné e não preciso destruir a vida de ninguém para alcançar os objetivos de ambos(ao menos que eu saiba). Não tenho o menor espírito empreendedor, nem quero ter uma empresa. Odeio pequenas empresas, grandes negócios(a revista e o programa). Vejo aquelas pessoas se matando, abusando do gerundismo(tá em moda essa expressão), levando muitos desaforos para casa(ou seria para o hotel cinco estrelas?) para trabalhar em uma empresa boçal, lideradas por um empresário boçal que adora sair com apresentadoras de TV e aparecer na revista Caras. Ele é a reencarnação business do Johnny Bravo. Outra consideração a ser feita é na verdade uma mea culpa, talvez uma terapia em grupo(eu, você e a máquina). Essas palavras saem com total sinceridade de um ser egocêntrico, extremamente competitivo e paulatinamente ambicioso. Não tenho planos de morar numa casinha em frente à lagoa azul, muito menos compartilho de ideais hippies. Não sou apenas mais um ser conformado com o sistema e que já decidiu tomar a pílula azul(não estou falando do Viagra). Apenas acho que tudo tem limite. Posso ser feliz e saciar o meu ego, sem necessariamente ser um aprendiz ou um grande irmão. Quero ser só mais um. Meu enterro não precisa ser transmitido para 126 países. Na verdade não quero velório. Só quero que as pessoas se lembrem que eu fui um cara firmeza. Essa é a minha luta(espero que essa citação não remeta a algum comunista). Um dia me tornar firmeza.
Até agora não entendi porque eu tinha que ser o melhor. Até agora não entendo porque, se não sou o vencedor, necessariamente sou um perdedor. Até agora não entendi porque tenho sempre que ganhar. E se eu perder? Vou ser um loser eterno? Acho que não, a não ser que eu ganhe de alguém, nem que for no par ou ímpar. Eu acho que tudo está errado, vamos voltar ao vídeo game. Você perdeu, deu game over? Aperta o start e começa tudo de novo! Não venha me dizer que na vida não é assim, que às vezes não há uma segunda chance. Papo furado. Sempre vai haver uma chance, se não for a segunda, será uma nova primeira chance (viu só? Até eu conseguiria escrever um livro de auto-ajuda). É só pegar umas frases de pára-choque de caminhão e misturar com o sermão do padre da missa dominical.
Só para constar, o parágrafo acima deveria ser o primeiro. No entanto, as idéias foram surgindo e ele acabou sendo o penúltimo. Não tem problema, os meus parágrafos não são competitivos. Se o primeiro parágrafo começar a se gabar, eu juro que o deletarei sem aviso prévio.

Saturday, January 14, 2006

Texto 2 – Ensaio sobre o comportamento em massa

Maquiagem neogótica, cabelo lambido com a franja caída no olho, munhequeira, boné de redinha. Quantas vezes ao dia você vem se deparando ultimamente com sujeitinhos desta maneira uniformizados? É o mais novo (pra quem?) modismo. A esta altura, se eu estivesse lendo esta linhas, eu já estaria me perguntando “Tá, e daí?”.
Bem, para esclarecer, minha real intenção não é chover no molhado (eu odeio essas expressões populares, mas vira e mexe eu acabo recorrendo a uma delas. Não tem jeito!), muito menos gastar algumas dezenas de linhas divagando sobre essa nova corrente que se auto define por um (neo)logismo formado por três letras, sendo que duas são vogais. Tudo bem que quando eles estão juntos até parece que algum caminhão acabou esquecendo um lote de um produto de supermercado. Tudo bem, tudo bem. Quem nunca passou por isso na puberdade que atire primeiro. Brincadeirinha! Isso é perigoso! Aqui em São Paulo ninguém atira pedra como na época em que o livro mais vendido do mundo foi lançado (até eu tive que comprar um, na época da primeira comunhão. Viu só? Não foi só a sua mãe que te obrigou!).
Vamos ao que interessa. Chega de escrever besteira. Eu acho...
ten.dên.cia sf (lat tendentia) - Disposição natural e instintiva, pendor, propensão inclinação, vocação.
mo.da sf (lat mode) – Sociol Variações contínuas de pouca duração que ocorrem na forma de certos elementos culturais.
mo.dis.mo (modo+ismo) - ..., idiotismo.
...o nosso amigão nos deu uma boa definição destes três substantivos, mas eu prefiro a definição dada pelo marketês acadêmico, onde, segundo ele, a grosso modo, tendência é algo que vai acontecer ou já está acontecendo e talvez ainda não nos demos conta. Um exemplo...difícil...quando lembrar de um, eu juro que escrevo! Já a moda é algo que acontece e tem um ciclo de vida limitado. Um exemplo? A calça jeans.(brim seria o nome correto do tecido, já que jeans é que nem danone, cândida...ah, você entendeu!) .
E o modismo? O que é? Ai, ai, esse tem tantos exemplos que eu resolvi contrariar a fórmula de bolo sobre como dissertar e dedicar quatro parágrafos só a ele. Antes que me acusem de machista por dedicar quatro parágrafos inteiros ao substantivo masculino, enquanto as duas donzelas tiveram que se apertar em um único parágrafo, ainda por cima iniciado por reticências e letra minúscula, deixa-me fazer a minha mea culpa. O machão de quem falamos não terá definições. Não será preciso. Ele é como a maioria dos homens, simples e previsível. Toma cerveja, adora futebol e só pensa em sexo. Se eu sou assim? Pergunte à minha namorada.
Voltando ao assunto, vamos resumir o nosso amigo apenas com exemplos, somente um para cada década(se fosse citar todos, não iria acabar de escrever nunca).
Anos 80: Lambada. “Chorando se foi, quem um dia só me fez chorar...“ Era terrível ser uma criança descoordenada naqueles anos. Uma vez acharam um vídeo de uma das festinhas de lona daquela época onde eu tentava dançar...sem comentários.
Anos 90: Patins in-line, vulgo Roller. De repente, não mais que de repente(de quem é isso, hein? Vinicius?) Todo mundo tinha um. Quero dizer, quase todo mundo. Eu, por exemplo, não tinha. Isto ocorreu mais devido à minha falta de coordenação (novamente ela) do que por uma corrente revolucionária que corria nas minhas veias. Esta corrente revolucionária bradava sim, em meu seio retumbante. Mas sempre com relação à música. Desde que eu virei roqueiro, nunca o deixei de ser, sobrevivi a todos aqueles movimentos denominados pelo substantivo masculino em estudo. Lembro do pagode do tal do raça negra(com letra minúscula mesmo.Inapelável!). E o pior de tudo é que os sujeitinhos ainda moravam perto da minha casa.(Aí é osso!). Acho que eu não cumpri o que prometi, dei mais de um exemplo nesta década. Foi mal, eu estava na minha puberdade, uma época marcante na minha vida. Voltando aos patins in-line...eu não comprei, não consegui me equilibrar em cima daquilo e ainda fui acusado de quebrar os patins de um dos moleques da rua porque eu era o mais tosco dentre os que ele permitiu andar. Eu sou inocente até que se prove o contrário.
Dias atuais: Vide primeiro parágrafo, já rendeu até reportagem no fantástico. Poderíamos acabar por aqui, mas eu não estou agüentando, vou ter que descumprir o prometido e, mais uma vez, dar um exemplo a mais do que eu realmente deveria. Pense no ano passado. Lembre-se daquela enxurrada de pulseirinhas multicoloridas de látex com causas até-que-se-prove-o-contrário-filantrópicas que viraram febre depois que alguns jogadores de futebol metidos a ativistas resolveram usar. Vale destilar o meu veneno, ressaltando que a iniciativa vanguardista partiu de uma transnacional(será que esse é o termo adequado? Não, multinacional é outra coisa!) do ramo de material esportivo que tem o nome parecido com o da minha cachorra. Essa digníssima empresa foi por muitas vezes acusada de utilizar mão-de-obra semi-escrava em países que costumávamos chamar de terceiro mundo (segundo alguns chatos, este termo não existe mais), fato que, em linguagem acadêmica, constituiria o dumping social. Ela é inocente até que se prove o contrário.
Segundo a fórmula de bolo sobre como dissertar aqui deveria entrar a conclusão. No entanto, por se tratar do segundo ensaio deste tão sonhado projeto, acredito que o que escrevi foi o suficiente para me causar alento. Ah, o exemplo de tendência. Deixa-me ver...eu acho que a tendência para o futuro é que as pessoas queiram que as vídeo locadoras ofereçam um serviço parecido com o disk pizza. Você liga, pede o filme, e eles entregam em casa. Aquela que conseguir fazer isso sem prejudicar os custos, atingirá uma vantagem competitiva interessante. Tá aí a idéia!
Para terminar, o nome da minha cachorra é Nika.

Wednesday, January 11, 2006

Texto 1 - Ensaio sobre a realização


Dizem que utilizamos apenas um décimo da nossa capacidade cerebral. No meu caso, e acredito que também no da maioria das pessoas, transformamos somente um décimo de nossos sonhos e idéias em algo concreto. E assim, com uma simples multiplicação, chegamos à conclusão de que vivemos um centésimo daquilo que, em tese, poderíamos viver.
A esta altura, você já deve estar me questionando sobre o grau de aprofundamento no estudo da capacidade cerebral humana. Sei lá! O que eu disse sobre isso é mera especulação, informação obtida em caixa vazia de Sucrilhos. Não vou perder meu tempo pesquisando se haveria a possibilidade de eu, um dia, poder ler pensamentos ou mover objetos somente com o poder da mente. Adoraria saber voar como o Goku ou subir pelas paredes como no Tigre e o Dragão. Eu já me contentaria em ter um orgasmo através da meditação...hahaha...me perdoem eu também sou de carne e osso.
Bem, voltando ao assunto, então vamos descartar o real uso cerebral de um ser humano e focar naquele um décimo de sonhos e idéias concretizadas. É muito pouco! Não ganhamos metade do que merecemos (será que o Karl tinha razão? Argh!), não comemos um terço do que queremos (sempre quis comer um pote inteiro de sorvete napolitano de uma só vez), e ainda teremos de nos contentar em viver o que sonhamos em doses homeopáticas? Que comer demais faz mal todos sabem. Dinheiro demais atrapalha (nessa eu não acredito). E sonhar? Sonhar não custa nada! Sonhar não é pecado! O que eu quero é conseguir transformar meus sonhos em realidade. Não precisam ser todos, me contento com metade deles. Pena que isso custa, e pode ser pecado pra alguns...
Minha mãe ouviu dizer em algum lugar que antes de morrer todos nós deveríamos plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Pois bem, já plantei uma árvore(na praça em frente à minha primeira casa), já escrevi um livro(infantil, é verdade) e já tive uma filha(linda e se chama Mariana). Agora será que posso morrer em paz? Na verdade a pergunta deveria ser se eu quero morrer agora, se eu já estou feliz com o que conquistei. A resposta é não. Inapelável!
Aqui vai uma parte do décimo das coisas que sonhei e transformei em realidade. Montei um time de futebol, ganhei um campeonato de futsal quando tinha uns 11 anos(campeonato que eu organizei, ponto pra mim!),cheguei na final do campeonato de futebol no colégio(perdemos de 6 X 0, mas eu fiz três gols na competição), viajei com meus amigos, fiquei bonito(não é narcisismo, eu juro!), aprendi a tocar guitarra(meia boca), montei uma banda, gravei uma demo, fiz showzinhos, gravei um CD(não foi lançado, é verdade), amei e fui amado(ai, ai, como é bom!), aprendi a nadar, aprendi a cortar a unha sozinho, aprendi inglês e espanhol, conheci outros países e outras culturas, aprendi a falar ao contrário...ufa! Até que não sou um loser no real sentido da palavra...bem, isto não me serve de consolo, isto foi apenas um décimo do que eu poderia ter feito.
E as palestras que eu não fiz? E os livros inacabados? E o CD que não foi lançado...e o kung fu...e as músicas não escritas por preguiça...e a coletânea...e as peneiras...e as visitas pras pessoas no hospital...e a filantropia...e a carta para o presidente...e a invenção do portal inter-dimensional....quando a gente é criança sonha muito, e quando vira adulto continua sonhando.
Já pensou se tivesse realizado a maioria das coisas que eu queria? Talvez fosse uma daquelas pessoas que ficam bem distantes da média e fogem do desvio padrão e conseguem fazer muita coisa. Quem eu seria? Ghandi, Maquiavel, Newton, Pelé, Senna, SS, Saramago, Mainardi? Hitler, Bonaparte, Escobar, Capone, Beira-Mar, Collor, Pedro Gomes ou aquele cara que tentou matar o Papa? Sei lá!
Já que estamos falando daqueles poucos que fugiram do desvio padrão, se o Einstein estiver certo talvez podemos burlar as regras. Se realmente houver mutabilidade no tempo, então eu posso fazer tudo o que eu queria ter feito. O meu medo é me arrepender depois...já que...bem, acho melhor falar. Quando eu era pequeno, queria ser jogador de futebol, piloto de fórmula 1 e depois rock star, cronológicamente falando. Depois quis ser astronauta, rock star novamente, tenista, nadador, e hoje, depois do almoço me deu vontade de ser jornalista esportivo. Justo agora que falta um ano pra me formar administrador? Justo agora que emplaco o meu quinto ano como professor de inglês? Bem não sei o que dizer, sou cheio de vontades, você também é, não me julgue! Grrrrr.
No fim das contas, esta vontade de ser jornalista vai passar em algumas horas, vou lembrar como é legal dar aulas de inglês, como gosto dos meus amigos e como não quero sair de onde estou. Hum...já lembrei! A palavra CNA tem poder sobre minha mente, ela me faz bem.
Está pronto! Este ensaio vai contribuir para aquele um décimo (lembra?) de coisas realizadas. Espero que este seja realmente o primeiro de muitos outros ensaios. Vou me reservar o direito de postar aqui também algumas teorias, nada muito complicado. Pouca coisa mais complexa que filosofia de boteco. Tenho como princípio acreditar que filosofia é a arte da reflexão para tentar entender a vida. Ler Platão e Aristóteles é legal, mas não é isso que vai te fazer entender o mundo. A mais simplória filosofia de bar tem um dito que resume bem o que aquele cara da foto da língua pra fora disse. Tudo é relativo...acho que não, né? Odeio determinismos, mas neste caso, o de entender as coisas, quase tudo é relativo mesmo. Ponto para os pseudos!